Tem questões sobre Osteopatia?

Nós temos as respostas.

O que é a Osteopatia?

A Osteopatia é uma ciência biológica que normaliza, harmoniza e regulariza o todo estrutural e funcional do corpo humano, e em especial a coluna vertebral, responsável por 80% dos casos que nos surgem no consultório. Trata a dor e melhora a função muscular, articular, fisiológica e orgânica.

Tem como objetivo diagnosticar diferencialmente, tratar e prevenir distúrbios neuro-músculo-esqueléticos e outras alterações relacionadas, utilizando uma variedade de técnicas manuais e outras afins necessárias ao bom desempenho osteopático para melhorar funções fisiológicas e ou a regulação da homeostase que pode estar alterada por disfunções somáticas, neuro-músculo-esqueléticas e elementos vasculares, linfáticos e neuronais relacionados.

Osteopatia Clássica

A Osteopatia Clássica preserva a verdadeira e profunda essência dos principios e os fundamentos da osteopatia anglosaxónica fundada nos finais do sec. XIX e inicio do sec XX. Sem nunca se afastar do caminho na compreensão do ser humano a tratar, tem como princípios o ajuste corporal de todas as partes do corpo, para melhorar a comunicação com o todo, melhorar o fluxo nervoso e com isso, todo o percurso venoso, arterial e linfático. Para isso, é necessário dispor de um conhecimento profundo de todas as partes que tratamos e todas as suas comunicações.

Lesão Osteopática

A pesquisa em Osteopatia é importante não apenas para elucidar os fenómenos associados ao seu mecanismo de ação, mas também pelo potencial que ela tem para explorar novos caminhos na fisiologia humana ainda não estudados de maneira sistemática pela medicina convencional, que não avalia o corpo como um todo funcional que é. Uma perturbação dos reflexos somato-simpático-viscerais (músculo-visceras), origina uma disfunção segmentária com inicio localizado (normalmente na coluna vertebral), mas que pode afetar todo o percurso neurológico desde a articulação até ao órgão e visceras relacionados.

Uma lesão osteopática articular, um traumatismo, ou um stress mecânico no aparelho musculo-esquelético originam uma hiperatividade segmentária do sistema nervoso simpático e este influencia sobre a resposta dos tecidos a agressões exteriores e aos processos inflamatórios. A hiperatividade simpática crónica, que advém de um estado articular vertebral mantido constante, é um fator desfavoravel nos sindromes clinicos tais como edema pulmonar, ulcera gástrica, arteriosclerose, lesões cardiacas, osteodistrofias, entre muitos outros. Estas e outras perturbações, estão em relação direta com uma resposta anormal dos mecanismos de retração local e regional, muitas vezes com inicio na nossa coluna vertebral. Estes reflexos anormais, alterados por uma postura vertebral desviatória mantida, tornam-se crónicos e se não tratados, dificultam a cicatrização ou a cura dos tecidos relacionados.

Exemplo em escolioses, ou pseudo-escolioses, com desvios na coluna, e alterações nos órgãos que pode causar (D-segmentos dorsais):
Pulmões – D1 a D7
Coração – D1 a D8
Tórax – D4 – D5
Estômago – D7- D9
Intestinos – D9- D12 , entre outros.

Tratamento Osteopático

A palavra Osteopatia refere-se a técnicas de mobilidade, manipulação dos tecidos moles, técnicas miotensivas, técnicas de energia muscular, técnicas de impulso e técnicas de ajuste corporal. A escolha das técnicas utilizadas, está em função do diagnóstico e avaliação realizada na primeira consulta. Uma avaliação e tratamento osteopático eficaz, suaviza o impulso aferente, diminuindo a hiperatividade simpática, que é um estado doloroso de alarme fisiológico.

Numa primeira consulta é feito um questionário intenso para avaliar tudo o que é necessário para compreender se a disfunção ou condição do paciente é da área de competência da Osteopatia. É realizado o questionário clinico com a identificação, o motivo da consulta, o historial clinico, antecedentes familiares, saúde no geral, avaliação dos sistemas: neurológico, cardiovascular, respiratório, gastrointestinal, ginecológico, endócrino. Avaliam-se exames de imagem, avaliam-se as assimetrias e restrições vertebrais, bem como os tecidos moles. Efetuam-se testes especificos ortopédicos, osteopáticos e neurológicos. No final do rastreio é realizado um diagnóstico osteopático, com as técnicas a utilizar nas correcções fisiológicas e articulares, aconselhamento especifico sobre exercicios que o paciente pode efetuar e posturas a melhorar no local de trabalho.

O número de tratamentos varia de uma até três ou mais.

O trabalho que a Osteopatia faz no acompanhamento dos pacientes ao longo da vida é o mais eficiente e o mais verdadeiro na real procura de saber observar e tratar o corpo como um todo, estrutural, funcional e orgânico. Venha experimentar e fique surpreendido com este maravilhoso mundo sobre a compreensão verdadeira do seu corpo.

Apontamentos Históricos sobre a Osteopatia Clássica

A Osteopatia, enquanto prática clínica, apareceu nos Estados Unidos da América pelo médico Andrew Taylor Still (1828-1917). Em 1864, uma epidemia de meningite matou vários dos seus pacientes; frustado com o acontecimento, terá descoberto lacunas na medicina do seu tempo. Decidiu então estudar e aprofundar os seus conhecimentos. Passados dez anos, em 1874, e através das suas pesquisas e observações clínicas, Andrew Taylor Still (Osteopata) e seu seguidor Dr. John Martin Littlejohn (1866-1947, anatomo-fisiologista e  mais tarde fundador da British School of Osteopathy) provaram que o corpo humano tem uma relação entre a estrutura e a função: qualquer alteração num órgão ou numa vértebra pode afetar o percurso e o funcionamento normal de um nervo, alterando o funcionamento local que, se não tratado, poderá afetar toda a linha do percurso. Em 1898 Dr. J. M Littlejohn  apresentou pela primeira vez, em Inglaterra, a osteopatia como uma alteração no conceito de medicina, começando a desenvolver o conceito na Europa. Como seus seguidores Dr. John Wernham (1907-2007) fundou os princípios da Osteopatia Clássica.

Graças a eles a Osteopatia ganhou credibilidade cientifica junto da comunidade médica. Desde então, vários estudos internacionais têm-se debruçado sobre os efeitos da Osteopatia.

Em alguns países a Osteopatia está integrada no S.N.S., citando, por exemplo, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, Alemanha e Países Escandinavos. Hoje, a Osteopatia (Medicina Osteopática) que se pratica na Europa é considerada a profissão em maior crescimento no campo da saúde e a mais eficaz no tratamento da dor e correções da postura.

Osteopatia em Portugal

Desde 2003 que a Osteopatia se encontra regulamentada em Portugal, garantindo assim uma melhor segurança para a população em geral na procura de profissionais qualificados.

Lei n.º 45/2003 de 2 de setembro:  estabelece o enquadramento da actividade e do exercício dos profissionais que praticam a Osteopatia, tal como é definida pela Organização Mundial de Saúde.

Lei n.º 71/2013 de 2 de setembro:  reconhece autonomia técnica e deontológica à Osteopatia.

Portaria n.º182/2014 de 12 de setembro: fixa as regras a aplicar ao requerimento e emissão da cédula profissional.

Portaria n.º182-B/2014 de 12 de setembro: estabelece os requisitos relativos à organização e funcionamento, recursos humanos e instalações técnicas para o exercício da atividade.

Portaria n.º207-B/2014 de 8 de outubro: caracteriza o conteúdo funcional da profissão de osteopata.

Portaria n.º 172-E/2015 de 5 de Junho: define os requisitos gerais que devem ser satisfeitos pelo ciclo de estudos conducente ao grau de licenciado em Osteopatia.

Lei n.º 1/2017 de 16 de janeiro: determina a isenção de IVA aos serviços de saúde de Osteopatia.

Características e Aplicações da Osteopatia

A Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) reconhece doenças para as quais a Osteopatia é indicada, nomeadamente as relacionadas com doenças do tipo degenerativas e do trabalho/posturais. Destacam-se as seguintes situações patológicas nas quais a Osteopatia tem demonstrado obter benefícios notáveis para a saúde:

  • Coluna vertebral
  • Cervicalgias
  • Dormências
  • Dores de cabeça
  • Insónias
  • Perdas de memória
  • Stress
  • Ansiedade
  • Estados depressivos
  • Tendinites
  • Artroses
  • Contraturas musculares
  • Fibroses
  • Atrofias musculares
  • Espasmos
  • Dificuldades respiratórias de origem costal
  • Distensões
  • Lombalgias
  • Hérnias (alívio sintomático)
  • Ciáticas e pseudo-ciáticas
  • Epicondilites (cotovelo de tenista)
  • Epitroclites (cotovelo de golfista)
  • Dor regiona
  • Escolioses, Cifoses, Lordoses


E algumas disfunções sistémicas, sem diagnóstico médico nem de imagem, porque a doença ainda não se instalou mas o corpo já o alarmou, já lhe deu informação de alguma alteração fisiológica não diagnosticada.